Orça a Rádio Cidade

Crescimento econômico está sob risco em 2022, diz economista

Compartilhe:

Sergio Vale afirma que política fiscal não está ajudando o Banco Central a controlar a inflação, o que gerou um ciclo forte de alta na taxa Selic

O cenário de alta da taxa básica de juros, a taxa Selic, colocou o crescimento econômico para 2022 sob risco, na visão do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. Para ele, o ciclo de elevações tem sido grande devido à falta de políticas fiscais que ajudem a conter a inflação.

“A gente está passando por um momento agora em que teve uma piora significativa da inflação, estamos falando de uma inflação de dois dígitos, algo que a gente não via há muito tempo”, afirmou Vale.

Segundo o economista, o cenário é pior porque, diferentemente de outros momentos, a política fiscal não está ajudando o Banco Central a controlar a inflação.

“O próprio ministro da Economia abandou o trabalho positivo que poderia fazer com a política fiscal e jogou para o Banco Central, que está mais sozinho do que nunca, e por conta disso ele tem que subir taxa de juros com intensidade maior do que talvez fosse necessário, e ao fazer isso a gente vai ver a Selic chegar no ano que vem muito próxima de 12%”.

Caso esse cenário se confirme, a alta em pouco mais de um ano será de 10 pontos percentuais.

“O impacto disso na economia não é trivial, é o grande elemento para explicar essa desaceleração em 2022. Também tem como fonte de todo esse estresse, justamente essa piora fiscal, que não é só nos números, mas na quebra de confiança que se coloca por causa do que aconteceu com a quebra da regra do teto, que não é só a questão de mudar indexador ou dos precatórios, é uma quebra de reputação, credibilidade”, afirma Vale.

Teto de gastos

Em referência à PEC dos Precatórios, que deve alterar alguns elementos do teto de gastos, o economista diz que o projeto colocada “dificuldades de curto e longo prazo”. Com isso, “o crescimento está sob risco em 2022, mas podemos ter riscos crescentes de 2023 para frente também”.

“Como o mercado vai acreditar que o Brasil vai conseguir seguir com regras fiscais se a cada momento que você tiver uma demanda eleitoral ela for quebrada?”, questionou.

Ao analisar a fala do ministro Paulo Guedes, de que o Brasil teve um crescimento econômico maior que a média, o economista afirma que o país conseguiu ter um desempenho melhor que o esperado em 2020, mas que esse cenário não deve se repetir em 2021 e 2022.

“Já está muito às claras o que vai ser o crescimento agora, estamos passando por uma situação mais difícil, o segundo trimestre teve queda de PIB, terceiro está caminhando para isso, já estamos vendo uma desaceleração da economia brasileira, e a sinalização para o ano que vem de um crescimento estagnado está muito claro”, disse o economista.

Com isso, Vale afirma que há um descompasso entre o que o governo anuncia e o que está acontecendo.

“A gente gostaria que o ministro estivesse certo, de ter um crescimento forte em 2022, os investimentos que estão sendo colocados maturarem com rapidez e ter impacto ano que vem, mas não funciona dessa forma. A gente vai pagar os preços dos nossos desmandos da economia no ano que vem, o mercado brasileiro sabe disso, o mercado internacional também, ele está pregando para convertidos”.

 

 

Compartilhe:

Leia mais

UFSB campus teixeira de freitas
Fiscalizacao velocidade
Forum Itabela
Investimentos da Apple na Bahia
PRF
Processo contra deputados
Demarcação terra indigena
Acao MPF
Bicho preguiça resgatado
Cumprimento mandados
Estudo de potencial
Sac Movel

Rede Sul Bahia de Comunicação - 2023 ©. Todos os direitos reservados

Rede Sul Bahia de Comunicação - 2023
© Todos os direitos reservados