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Análise: Vasco encara o Flamengo, decide no primeiro tempo, mostra consistência e elimina fantasmas

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Por Fred Gomes — Rio de Janeiro

Jogo aéreo funciona no ataque com Léo Matos, principal figura vascaína, e na defesa; Lucão se destaca, e Morato põe a cereja no bolo

O Vasco não apenas encerrou o jejum no Clássico dos Milhões. O time de Marcelo Cabo também mostrou ser possível encarar o milionário rival. Na vitória por 3 a 1 sobre o Flamengo, com autoridade, os vascaínos pouco sofreram no primeiro tempo, quando resolveram a parada. Postura, aliás, bem diferente da demonstrada no clássico anterior, pelo Brasileiro, no qual a equipe foi passiva e aceitou um massacre nos 45 minutos iniciais.

Dentro de campo, a equipe rechaçou a escrita e a deficiência no jogo aéreo, fundamento em que Léo Matos, grande figura do duelo, sobrou. E o Vasco não se encolheu: atacou no momento certeiro e fechou o placar com provocação que tornou a noite perfeita.

No segundo tempo, o time até retrocedeu, e o termo da moda, “saber sofrer”, talvez não se aplicasse caso não fosse o goleiro Lucão, de 19 anos e soberbo no melhor momento do rival. Foram apenas oito finalizações do Vasco, contudo três destas morreram na rede de Diego Alves.

Marcação encaixada, e Léo Matos com muito destaque

O primeiro tempo do Vasco foi de almanaque e com um começo promissor justamente por abrir o placar na jogada que é o calcanhar de Aquiles da gestão de Marcelo Cabo: a bola aérea. Zeca bateu o escanteio bem, e Léo Matos, que se tornaria o dono do primeiro tempo, surpreendeu Filipe Luís, deixando-o para trás, subiu mais alto do que Bruno Viana e cabeceou sem chances para Diego Alves.

A partir daí, o que era esperado se desenhou: Flamengo com a bola (69% de posse), e Vasco recuado. Mas a marcação vascaína foi muito eficiente, sempre tirando espaços dos pontas e obrigando Rogério Ceni a rodar o time. Everton Ribeiro, figura apagada, trocou de lado. Gérson estava perdido, e Bruno Henrique tentava o tempo todo, mas parava em Léo Matos, que ganhava tudo no um contra um e também nos duelos aéreos.

A evolução na comparação com o clássico anterior diante do Flamengo ficava evidente no meio-campo. A falta de dinâmica de Leo Gil e Benítez naquele jogo de 4 de fevereiro deu lugar à movimentação de Galarza e Marquinhos Gabriel. Morato também sobrou em relação a Yago Pikachu, titular há dois meses.

Cano já vinha bem, aparecendo mais do que o habitual no campo defensivo, inclusive iniciando jogadas. Mas brilhou mesmo na sua função, ao concluir com perfeição grande jogada coletiva do Vasco. Castan apareceu quase na linha do meio-campo para dar um passe de peito. Andrey carregou e tocou para Morato. Apesar do desvio, a bola sobrou quicando para o camisa 10, que entregou para o argentino fazer um golaço.

O Vasco manteve a estratégia de esperar o Flamengo, mas mantinha a guarda alta na marcação. Quando Lucão foi exigido, no fim do primeiro tempo em chute de Bruno Henrique, fez ótima defesa.

No intervalo, o destaque absoluto do primeiro tempo explicou a estratégia vascaína e projetou o que o time deveria fazer no segundo tempo.

– Estratégia foi perfeita, a gente se propôs a fazer o que Marcelo pediu. É redundante falar da qualidade do time do Flamengo, pois nem sempre queremos adotar essa estratégia. Preferimos ter a bola, ter o jogo posicional, mas em certas partidas isso não é permitido. Defender bem no bloco baixo e sair para o contra-ataque. Felizmente fizemos o gol na bola parada, e o Flamengo se expôs. Vamos tentar segurar e procurar fazer mais gols – afirmou Léo Matos.

A previsão/profecia de Matos se cumpriria, mas é preciso falar de Lucão.

Lucão é o sinônimo de saber sofrer, e Morato, o de saber tirar onda

Após a volta do intervalo, Rogério Ceni deu mais mobilidade ao Flamengo com as entradas de Vitinho e Matheuzinho. O adversário, que já era soberano na posse de bola, empurrou ainda mais o Vasco para o campo de defesa, mas Léo Matos ainda seguia superior nas disputas individuais. Quando o Rubro-Negro encontrava soluções, parava em Lucão ou na trave.

Nos 15 minutos iniciais da etapa, a estatística de finalização, que no primeiro tempo, era de 7 a 3 para o Flamengo, subiu para 14 a 5. Lucão parou Gérson, Bruno Henrique em cabeçada à queima-roupa e Everton Ribeiro duas vezes. Atento ao crescimento do rival, Marcelo Cabo sacou Pec, que se desdobrava na recomposição e pouco aparecia na frente, e colocou Bruno Gomes.

O Flamengo seguia chegando, mas as dificuldades de penetrar eram grandes. Gabigol pouco viu a bola no jogo, embora também tenha parado em defesa importante de Lucão.

Mesmo finalizando muito, o rival não foi objetivo, e o Vasco matou o jogo com requintes de crueldade aos 32 minutos. Diego, que sofrera com a marcação intensa de Galarza no primeiro tempo, errou o domínio. Marquinhos Gabriel aproveitou e achou passe preciso para Morato, que desconcertou Filipe Luís, destaque do Flamengo na conquista da Supercopa. Cortou o lateral com toque de letra com o pé esquerdo e finalizou com chute seco com o direito. Ainda comemorou à la Edmundo. Festa completa.

Não se pode esquecer da entrega de Galarza, que não deixou Diego andar em campo; de Andrey, discreto em seus melhores fundamentos (finalizações e passe), mas incansável no posicionamento; e nem da dupla de zaga, com destaque para Leandro Castan, muito contestado pelo final de temporada passada muito ruim.

No fim, o gol de Vitinho, a 24ª das finalizações do Flamengo (contra oito do time de Cabo, que colocou três para dentro), não tirou o sono de nenhum vascaíno. Talvez de Leandro Castan, um dos que mais se entregaram defensivamente, que enfileirou palavrões.

Mas certamente nenhum vascaíno reclamou. Noite perfeita: o jogo aéreo funcionou – a única bola perdida se deu aos três minutos de jogo, quando Bruno Henrique superou Léo Matos e cabeceou por cima -, Cano fez seu primeiro gol no Clássico dos Milhões, e o jejum de 17 jogos chegou ao fim. A maior invencibilidade no clássico, de 20 partidas, eternizada pelo Expresso da Vitória, segue com o Vasco.

Fonte: Ge

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