A profissão de moedeiro é das mais antigas em Portugal e chegou a gozar de grandes privilégios e benefícios como reconhecimento da sua importância.
Os moedeiros constituíam uma corporação altamente privilegiada e esses privilégios, que se podem situar cronologicamente entre o reinado de D. Dinis (1324) e o de D. João V (1750), estavam registados no livro dos privilégios dos moedeiros, um manuscrito com cerca de 100 folhas de pergaminho e uma encadernação manuelina que é pertença do arquivo da imprensa nacional casa da moeda.
Os moedeiros, que podiam ter as mais diversas profissões, prestavam serviço a título gratuito sempre que para isso eram chamados pelo tesoureiro ou, mais tarde, pelo provedor da casa da moeda, isto é, sempre que se lavrava moeda, e tinham direito a foro privativo, cadeia própria, porte de armas, além de isenção de aposentadoria, de serviço militar, de pagamento de determinados tributos e impostos, sendo que tais privilégios tinham carácter vitalício e eram extensíveis a membros da sua família e serviço.
A palavra moedeiro concentrava em si uma série de funções ligadas ao fabrico da moeda que iam desde os oficiais da casa, com vencimento fixo, e se estendiam a todos os outros artífices que colaboravam no fabrico mas não tinham presença permanente: cunhadores, salvadores, contadores, branqueadores, capatazes, guardas da fundição e do cunho, entre outros.
Os moedeiros, que naqueles tempos tinham de residir na cidade de Lisboa ou arredores e estar sempre disponíveis para acorrer à casa da moeda quando chamados, viram o seu estatuto transformar-se ao longo dos séculos assim como o exercício das suas funções.
Até cerca de 1678 era utilizado o sistema manual do martelo que consistia no seguinte: num cunho fixo, sobre o qual se colocava o disco monetário, o moedeiro encostava, seguro por uma das mãos, o cunho móvel que, por sua vez, recebia uma pancada do martelo, empunhado pela outra mão.
A partir de então dá-se início a um novo período na produção da moeda caracterizado pelo uso da máquina e no final do século XVII são definitivamente introduzidos os balancés (máquina utilizada na cunhagem da moeda) de parafuso, cuja força motriz, inicialmente humana, deu lugar ao vapor, a partir de 1835, com a aquisição de uma das primeiras máquinas a vapor do país.
Constituídos ao longo de vários séculos, os privilégios dos moedeiros foram finalmente extintos por decreto de D. João VI, marcando o fim do estatuto social da classe que lhes conferia prestígio e importância, além de muitas vantagens fiscais.