Antônio Carlos Bernardes Gomes, mais conhecido pelo nome artístico Mussum 1941 a 1994, foi um humorista, ator, músico, cantor e compositor brasileiro.
Na indústria musical, integrou o grupo de samba Os Originais do Samba em meados da década de 1960, como cantor e percussionista com os nomes artísticos de Carlinhos da Mangueira ou Carlinhos Reco-Reco. Como humorista, fez parte do célebre quarteto Os Trapalhões, tendo sido o 3° mais antigo integrante da trupe, e o segundo a falecer (quatro anos depois do Zacarias).
Mussum nasceu no Morro da Cachoeirinha, no Lins de Vasconcelos, zona norte do Rio de Janeiro. Filho da empregada doméstica Malvina Bernardes Gomes. Mussum se focou nos estudos, repassando os ensinamentos para a sua mãe, concluindo o ensino primário em 1954. Não desejando interromper sua educação, assim ingressou na Fundação Abrigo Cristo Redentor.
No Instituto Profissional Getúlio Vargas, uma das instituições pertencentes a Fundação Abrigo Cristo Redentor, Mussum foi aprovado em uma seletiva para o programa “Nutrição Boa”. Em 1957, Mussum obteve o diploma de ajustador mecânico junto com uma recomendação de trabalho, o recém formado começou a trabalhar como aprendiz em uma oficina no Rocha na Zona Norte do Rio de Janeiro. Serviu na Força Aérea Brasileira durante oito anos.
Carreira musical
Com Os Originais do Samba
Fundou o grupo Os Sete Modernos, posteriormente chamado Os Originais do Samba. Com o grupo, gravou no total 13 álbuns, e obteve vários sucessos.
Carreira solo
Em 1978 lançou seu primeiro disco solo “Água benta”. Em 1980 e 1983 lançou, pelo selo RCA Victor, dois LPs intitulados “Mussum”. Também pelo selo RCA Victor lançou em 1981 um single e um compacto, e em 1982 um single com as músicas “O amigo da criança (Melô do piniquinho)” (Mussum e Silvio da Parada) e “Camisa 10” (Hélio Matheus e Luis Vagner). Em 1983 lançou, pelo selo EMI-Odeon, um compacto simples com Dedé Santana e Zacarias, que inclui as faixas “Todo mundo deve ser mais criança” (Renato Corrêa e Cláudio Rabello) e “Vamos a luta” (Mussum, Neoci, Adilson Victor e Jorge Aragão). Em 1987 lançou, pelo selo Continental, mais um LP intitulado “Mussum”. Em 2014 foi lançada a biografia “Mussum forévis – Samba, mé e Trapalhões”, escrita pelo jornalista Juliano Barreto, pela editora Leya.
Carreira como humorista
Mussum começou na TV em 1966, quando trabalhou em vários musicais da TV Globo e Excelsior, e também conheceu Dedé Santana.
Em 1969, o diretor de Os Trapalhões, Wilton Franco, o viu numa apresentação de boate com seu conjunto musical e o convidou para integrar o grupo humorístico, na época na TV Excelsior. Mais uma vez, recusou: entretanto, o amigo Manfried Santanna (Dedé Santana) conseguiu convencê-lo, e Mussum passou a integrar a trupe em 1972 (Na época, ainda era um trio, pois Zacarias entraria no grupo depois, em 1974). Antes de entrar para o grupo porém, Mussum trabalhou na Escolinha do Professor Raimundo, com Chico Anysio.
Campanhas sociais
Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, se dedicou às campanhas sociais a favor dos portadores de deficiência visual, promovendo a doação de córneas em 1981, durante o especial Os Trapalhões – 15 anos, a favor dos desabrigados da seca do Nordeste, de 1983 até 1985 nos especiais SOS Nordeste e também, a favor das crianças e dos adolescentes em todo o Brasil, promovendo o lançamento do show Criança Esperança em 28 de dezembro de 1986, durante o especial 20 Anos Trapalhões – Criança Esperança.
O Trapalhão Mussum
No programa, popularizou o seu modo particular de falar, acrescentando as terminações “is” ou “évis” as palavras arbitrárias (como forévis, cacíldis, coraçãozis) e pelo seu inseparável “mé” (que era sua gíria para cachaça). A personagem que vivia no programa Os Trapalhões tinha, como característica principal, o consumo constante de bebidas alcoólicas, em especial a cachaça.
Morte
Mussum morreu em 29 de julho de 1994, aos 53 anos, às 2:45 da madrugada. vítima de complicações ocorridas após um transplante de coração. O humorista foi sepultado no Cemitério Congonhas, em São Paulo. A escola de samba Mangueira decretou luto e relembrou que o humorista tocava samba com as crianças da Mangueira do Amanhã em dias de folga.
Legado
Nos anos 1970 e 1980, Mussum era um dos poucos artistas negros na tv. O humorista nunca foi esquecido pelo grande público que conquistou, permanecendo, até hoje, muito vivo e presente na memória de seus admiradores, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, tendo sido lembrado em uma série de camisetas lançadas na cidade com a imagem estilizada de Mussum e a inscrição “Mussum Forevis”.
Após o Rio de Janeiro ter sido escolhido sede dos Jogos Olímpicos de 2016, vários internautas satirizaram o pôster de campanha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com a foto do humorista e, sob ela, a frase “Yes, we créu”. Uma sátira a “Yes, we can” (sim, nós podemos), frase de campanha do presidente estadunidense. Também foram produzidas camisetas com a palavra “Obamis”.
Uma rua de Campo Limpo, na cidade de São Paulo, ganhou o nome “Comediante Mussum” em sua homenagem. O Largo do Anil, em Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro, teve o seu nome mudado pelo prefeito Eduardo Paes para “Largo do Mussum”. Uma famosa frase do humorista, “Só no Forévis”, inspirou a banda brasileira de hardcore punk Raimundos, que utilizou a frase como título de seu álbum homônimo de 1999, bem como título da canção que abre o disco, uma vinheta na qual a música “Selim” era tocada em ritmo de samba.
Filmografia
A carreira de Mussum no cinema foi ligada aos Trapalhões, desde o primeiro filme, O Trapalhão no Planalto dos Macacos (1976), de J.B. Tanko. Daí em diante, foram mais 26 filmes com o grupo, até Os Trapalhões e a Árvore da Juventude (1991), de José Alvarenga Jr. Trabalhou também como compositor no filme Atrapalhando a Suate (1983) e em Os Trapalhões no Rabo do Cometa (1986), dirigido pelo amigo Dedé Santana.
Com Os Trapalhões
Juntos, Os Trapalhões lançaram 16 álbuns. Nos dois primeiros de 1974 e 1975, só aparecem Renato Aragão e Dedé Santana nas capas, mas nessa época o quarteto já estava formado, e todos participaram. No LP O Forró dos Trapalhões (1981), Mussum não aparece na capa e nem mesmo nas trilhas sonoras. O motivo era porque ele, nessa época, ainda tinha contrato exclusivo com a gravadora RCA Victor.